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A S.A.A.P. (organização
não governamental de prevenção dos problemas do álcool e apoio aos
alcoólicos em recuperação) é uma instituição particular de solidariedade
social em actividade desde 13 de fevereiro de 1967.
Localizada em Lisboa, fazem parte da sua estrutura humana, pessoal
técnico, alcoólicos recuperados ou em recuperação e pessoas que não
sofrendo do problema se encontram de alguma forma por ele
sensibilizados.
O objectivo da
sua criação foi contribuir para o combate ao alcoolismo, não combatendo,
no entanto, o uso moderado de bebidas alcoólicas. Neste sentido as suas
actividades enquadram-se nos vários níveis de prevenção, desde a
primária à terciária.
Níveis de Prevenção:
Com a Prevenção Primária, visa-se a educação da população no
sentido de promover o conhecimento e a prática do saber beber. Quando se
fala em população tanto pode ser no âmbito em geral (através dos meio de
comunicação) ou a grupos restritos, como os trabalhadores de uma
empresa, alunos de uma escola, habitantes de uma ladeia, etc...
Esta é uma das áreas que a S.A.A.P. tem vindo a dar prioridade, pois
considera este problema como um "Iceberg" em que os alcoólicos são
somente uma pequena porção do topo. A parte submersa do "iceberg", são
todos aqueles que bebendo em excesso, permitem que a parte emersa nunca
desapareça.
Agir ao nível do topo sem implicar as bases, significa não ir ao fundo
da questão, permitindo que vão surgindo novos casos de alcoolismo. Embora
se deva fazer intervenção e prevenção a todos os níveis, é de notar que
os seus efeitos far-se-ão sentir mais, quanto mais baixo for o grupo
etário a que se dirigiam.
Com a Prevenção Secundária
pretende-se um diagnóstico precoce, medidas de assistencia e tratamento
imediato. Este é um dos campos onde é mais difícil agir, pois o
alcoólico
recusa-se (até tarde na evolução da doença) a admitir que o é. Na
sociedade em que vivemos um alcoólico ainda é muito descriminado e
marginalizado. Não é visto como um doente, mas sim como um viciado que
bebe e arranja problemas porque quer.
Assim os técnicos que trabalham na S.A.A.P., no seu entendimento inicial
tentam motivar o indivíduo. Há que transformar a pressão externa que faz
o doente procurar a S.A.A.P., numa motivação intrínseca, para que seja
eleo verdadeiro agente da sua mudança.
Com base no diagnóstico é feita uma triagem. Quando a desintoxicação se
torna pertinente, a S.A.A.P. recorre à colaboração de instituições
oficiais e particulares que se ocupam do tratamento do alcoolismo,
sobretudo em hospitais psiquiátricos ou serviços de psiquiatria nos
hospitais gerais.
Apesar de estas serem as organizações que tratam o alcoolismo, sabemos
que o alcoólico não gosta de ser tratado nestes locais, pois prefere não
se considerar um doente mental. As curas de desintoxicação não têm outro
fim senão o de desembaraçar o organismo do duente da sua apetecência
para o alcoól, evitando as crises de privação e a rotura brutal. Assim é
errado pensar que a desintoxicação resolve o problema por si próprio.
não é mais do que uma forma de ataque à doença, uma vez qu não tem como
objectivo a mudança de atitudes e comportamentos.
Daí a vantagem de existirem instituições que como a S.A.A.P., trabalham
o problema do álcool como campo em si.
A recuperação de um alcoólico é um trabalho moroso, pois sendo uma
doença crónica equiparada à diabetes ou à hipertensão, o indivíduo vai
ter de ter cuidados, nste caso com as bebidas alcoólicas, para toda a
vida.
Enfatizamos a importância da
Prevenção Terciária, enquanto orientada para o apoio ao alcoólico,
utilizando todos os meios para uma melhor readaptação deste, por forma a
impedir a regressão da doença.
Estas medidas terapêuticas que limitam as sequelas da doença, são
relativas à sua adaptação à sociedade, e implicação desta última, no seu
processo de reajustamento, e devem incorporar estratégias de
recuperação, reabilitação e promoção da sua reintegração no meio
familiar profissional e social.
Os grupos de auto-ajuda, são dos formatos terapêuticos mais difundidos
na reabilitação de indivíduos dependentes de álcool. Saliente-se que
existem vários tipos de grupos no âmbito do tratamento de alcoólicos,
consoante intervenham técnicos ou não, a sua amostragem seja só os
alcoólicos ou não, também a orientação técnica do líder do grupo, etc.
No grupo existente na S.A.A.P. podem participar, para além dos
alcoólicos, outras pessoas com envolvimento próximo , cônjuge ou outro
familiar, o que permite alargar a rede de intervenção, proporcionando
para além do reforço da abstinência, modificações nas interacções e
práticas comunicacionais, uma vez que o indivíduo para se recuperar,
mais do que parar de beber tem de mudar de padrões comportamentais,
aprendendo a viver de forma diferente com a realidade que o cerca.
Se bem que a terapia de grupo, ofereça um leque diversificado de áreas
de intervenção, desde a discussão das razões que levaram o indivíduo a
parar de beber, estratégias para manter a abstinência, mudança de estilo
de vida, planificação das actividades diárias, relação com o meio de
lidar com as recaídas. Existem certos tipos de alcoolismo que são
indicados para formas individuais de psicoterapia, nomeadamente aquelas
em que o alcoolismo é secundário.
Apesar de não existir investigação empírica que demonstre a sua
eficácia, descrevem-se algumas características que parecem ser aspectos
positivos desta modalidade terapêutica...
O facto de no grupo se encontrarem pessoas que têm o mesmo problema (se
bem que possam estar em fases diferentes) faz com que não se sintam
sozinhos ou únicos no seu sofrimento e sentimentos. Este laço que os une
cria-lhes uma nova identidade, talvez mesmo o sentido de uma nova
família e um sentido de solidariedade.
O grupo funciona como um espelho multifacetado, uma vez que permite com
as várias vivências e experiências descritas, que o alcoólico capte a
sua própria imagem. O facto de se encontrarem pessoas em fases
diferentes de doença e recuperação, possibilita em termos pedagógicos a
divulgação de informação acerca da doença, da dinâmica familiar,
alternativas comportamentais, bem como a ajuda mútua entre os próprios
indivíduos.
O facto de todos eles terem sentido o problema, faz com que as
tentativas de alcoólico de ludibriar os outros, de que não bebe tanto
quanto isso, caiam por terra, existindo desta forma, uma maior
facilidade em ultrapassar a negação que é característica da doença, do
que estando só presente o técnico. Por outro lado através dos indivíduos
que se encontram abstinentes há mais tempo, é transmitida a esperança,
baseada em expectativas positivas formadas, de que o problema pode ser
solucionado.
Enquanto o alcoólico tratado se mantém activamente ligado ao grupo,
possibilita a continuação do sucesso no seu tratamento, bem como vai ser
um importante agente de ajuda e motivação para outros doentes alcoólicos
crónicos, e confirma o lema da Sociedade Anti-Alcoólica Portuguesa –
Ajudando serás ajudado...
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